18/6/2010 - GESTÃO DO FLUXO DE CAIXA
Toda empresa, por princípio, deveria ter capacidade de pagar suas contas em dia sem necessidade de buscar recursos de terceiros. Na prática, porém, isso nem sempre acontece.
Há situações em que a sobrevivência da empresa passa a depender do uso sistemático de empréstimos.
As causas do desequilíbrio financeiro podem ser as mais variadas possíveis, como a falta de planejamento e controle, ou vendas insuficientes.
O desconto de títulos tem sido o mecanismo mais utilizado. O problema é quando o desconto passa a ser crônico e em níveis elevados em relação ao faturamento. Descontar mais de vinte por cento do faturamento é sintoma de desequilíbrio financeiro.
Temos percebido situações em que empresas não conseguem manter suas contas em dia, mesmo que descontem todo o seu faturamento.
Aqui começa a luta da sobrevivência. A maioria opta pelo atraso de pagamentos, a começar pelos impostos. Outras, aproveitando seu conceito de crédito, contratam empréstimos com garantia de aval. Logo ali adiante, porém, passam a enfrentar um novo problema com a falta de capacidade de pagamento. Novos empréstimos se fazem necessários para saldar dívidas. Os juros já consomem quase todo o potencial de lucro. Está instalado o círculo vicioso.
O quadro acima pode estar carregado nas tintas, mas reflete a realidade de inúmeras empresas.
A falta de capital de giro é problema crônico de muitas delas.
Para promover a reversão é fundamental que se analise o ciclo operacional e financeiro do negócio, isto é, o tempo gasto para realizar todas as etapas do processo. Numa empresa industrial, por exemplo, poderia haver a necessidade de desembolso antecipado de caixa para pagamento a fornecedores. Aqui começa o ciclo. Depois, somam-se os tempos de estocagem de matérias-primas, de fabricação, de estocagem de produtos prontos e por fim o prazo de recebimento das vendas a prazo. Quanto mais longo este ciclo, mais recursos de capital de giro serão necessários.
Além do capital de giro, que outras medidas seriam necessárias para colocar a empresa na rota do equilíbrio financeiro?
Sugerimos quatro alternativas. Primeira, abstraindo as dívidas, analisar a viabilidade do negócio nos aspectos de mercado e de potencial de lucros. Segunda, estruturar um plano de saneamento financeiro. Terceira, racionalizar os processos operacionais. Quarta, adotar a prática do planejamento e controle de gestão.
Autor: Nadir Andreolla
|